sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

o garoto e a garoto

nas últimas semanas tenho ido de ônibus ao trabalho ao invés de metrô. e tempos atrás me deparei com uma cena já comum nos ônibus do rio: um vendedor ambulante.

mas o que me chamou a atenção era que ele deveria ter no máximo uns 11 anos. e seu discurso era muito bom: 'bom dia motorista, cobrador e demais passageiros. estou aqui para vender meus chocolates serenata de amor...'. enquanto falava, ele mostrava aquele pacote do serenata de amor que vem três bombons juntos.

depois passou pelas cadeiras vendendo, recolheu o dinheiro e desceu pela porta de trás no ponto seguinte, dizendo: 'obrigado motorista e uma ótima viagem a todos'. fiquei olhando ele ir embora e pensei: será que ele vai à escola? ele fala muito bem, alto, claro e com boa dicção. ele não deveria estar ali.

e como foi marcante a passagem dele pelo ônibus, será que as pessoas vão se lembrar dele depois, do 'pobre garoto vendendo garoto'? ou será que a coisa se banalizou ao ponto de as pessoas se esquecerem logo em seguida, tanto da marca quanto do garoto?

a questão do garoto é um problema com que o brasil em geral precisa ainda aprender a lidar, tomando alguma atitude para tentar melhorar a situação de vida das pessoas.

a questão da marca do produto foi citada pois isso pode interferir no valor da mesma, já que ninguém gostaria de estar associado a trabalho infantil.

o relacionamento com as marcas acontece todo o tempo. e algumas situações podem agregar outros valores à imagem da marca, valores indesejados. seja numa situação como essa descrita ou até mesmo um caminhão que fecha seu carro de forma imprudente e tem estampado na parte de trás um logotipo grande e conhecido. por isso é importante para as empresas estarem atentas.

nas últimas semanas não vi mais o garoto no local de costume. prefiro pensar que ele agora retornou às aulas.

4 comentários:

  1. Existem muitas pessoas que não estão aproveitadas da forma que merecem. Todos nos precisamos de uma oportunidade.

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  2. nesse caso, pra mim nao influenciou no valor da marca garoto. nao vou deixar de consumir produto da marca.se a empresa tivesse explorando o trabalho infantil para fabricar seus produtos, ai sim eu nao consumiria bombons da mesma.


    acho que a maioria das pessoas esquecerao do garoto. eh soh mais um de tantos por ai, q vendem bombons nos onibus, vendem balas nos semaforos, pedem pra vigiar carros nos estacionamentos publicos.

    a maioria das pessoas pensam mais em si, e esquecem dos outros, esquecendo o garoto.

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  3. Uma vez também encontrei um garoto vendendo balas no ônibus e, assim como você descreveu o que assistiu, este também era bem articulado, sabia se expressar muito bem e não parecia uma criança carente, como estamos acostumados a ver nas ruas. Pelo que percebi, ele era bastante conhecido na região, porque tanto a trocadora quanto alguns passageiros já tinham o costume de comprar suas balas. O menino realmente fazia sucesso. Ainda no ônibus, a trocadora perguntou: vc não largou a escola não, né? Ele disse que não. Que estudava na parte da manha e só vendida à tarde para ajudar a mãe. Enfim, acho que ainda nos surpreendemos com essas cenas no nosso cotidiano porque (e aí, para quem já teve a oportunidade de viajar para fora do Brasil, percebe muito bem isso) é incomodo aos nossos olhos encarar essa péssima realidade do nosso país: crianças que poderiam ter um futuro brilhante perdendo sua juventude em trabalhos como esses.
    Em relação a marca, acho que quase ninguém faz a relação entre marca e vendedor porque poderia ser qualquer produto, ou melhor, qualquer marca. Seria diferente se vissemos os mesmos produtos sendo vendidos por crianças.
    Agora, para nós cidadãos, esses relatos poderiam ser repassados para tais empresas. Talvez a responsabilidade social que as empresas tanto prezam atualmente poderia ajudar em projetos sociais justamente para conter essa vinculação de suas marcas com o trabalho infantil.
    Abraço

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  4. Sempre vejo pessoas pedirem e venderem coisas nos ônibus... às vezes eu ajudo... mas sempre esqueço depois, exceto uma garota deficiente :(

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