domingo, 15 de março de 2009

por que calar uma voz assim?


um dos ganhadores do oscar, esse filme conta a história real de harvey milk, primeiro gay eleito para um cargo importante na política americana, em 1977. misturando imagens reais da época (como um documentário) com a grande atuação dos atores, o filme convence, emociona e nos coloca a pensar sobre a questão de direitos iguais para todos.

numa época em que era considerado crime ser homossexual, um homem resolve buscar seu ideal. ele se me muda para san francisco e abre uma loja de fotos que vai se tornar posteriormente um lugar de encontro e também um comitê político. a idéia de entrar para a política teve a ver com a questão de que, assim, ele poderia ser mais ouvido e alcançar mais objetivos.

a época em questão era mais complicada. os homossexuais andavam com apitos no peito para soprar caso fossem atacados, pedindo ajuda aos demais. há uma cena, triste, que se passa refletida em um apito no chão, mostrando que não era aceitável de nenhuma maneira assumir qualquer sentimento em relação a outra pessoa do mesmo sexo. e também outra em que um garoto liga para milk para dizer que não sabe o que fazer já que seus pais vão interná-lo para que ele seja 'consertado'.

a base da narrativa é uma gravação do próprio milk, preocupado com alguma possível tentativa de assassinato. flashbacks mostram políticos da época (ligados a religiões) cuja única meta era acabar com todas as leis e direitos que favoreciam os homossexuais. vamos vendo como ele lidava com tudo isso, muitas vezes de maneiras otimistas, como quando fala da questão de dois homens não conseguirem se reproduzir ou do fato de que as crianças não imitam seus professores.

em seu discurso no oscar, sean penn falou da mudança na política atual, das mudanças em hollywood e falou da mudança de pensamento que precisa acontecer nas pessoas. dustin lance black, que recebeu o oscar de melhor roteiro original para o filme, também foi muito aplaudido em seu discurso em que agradeceu principalmente ao exemplo de milk que o deu 'esperança de poder viver do jeito que é'.

no brasil, marco ribeiro, que dubla o ator sean penn em todos seus filmes, mostrou-se preconceituoso e se recusou (veja aqui) a dublá-lo nessa história, alegando que isso incomodaria a outras pessoas da sua igreja evangélica. não entendo como uma história que fala de igualdade entre seres humanos e luta contra preconceito pode ser considerada 'incômodo'. não entendo também como isso pode ser motivo de desconforto para uma pessoa que lidera outras e deveria mostrar-se contra esse tipo de atitude.

temos que viver bem nossas vidas, procurando dar amor e carinho para quem a gente gosta, para quem convive com a gente. mais ainda, precisamos ajudar a formar opiniões, abrir mentes e ensinar a todos que ninguém deve ser tratado diferente só porque ama outra pessoa do mesmo sexo. não se ganha nada com ódio, discórdia e intolerância. é muito importante respeitarmos as diferenças, não importa como elas se apresentem.

6 comentários:

  1. "o mundo so sera bom quando o ultimo rei morrer enforcado com a tripa do ultimo padre" -- ja dizia um destes teoricos do iluminismo, não sei mais qual...

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  2. hum...parece interessante esse filme... sou contra qq tipo de preconceito....direitos iguais pra todos claro! =P

    beijinhos e ótima semana

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  3. É porque só queremos achar como o certo o que é defedindo por nós, o que é contrario ao nosso pensamento é o inimigo...

    E assim a humanidade continua lutar pelo o que deveria se de todos.

    Fique com Deus, menino.
    Um abraço.

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  4. não acredito que o pré - conceito sobre as pessoas, coisas e idéias um dia irá acabar por completo. Seria necessário que toda a estupidez e hipocrisia do mundo também acabasse. Acho meio difícil, mas nada é impossível, né?!

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  5. Coisa mais estapafúrdia esse episódio do dublador!

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  6. Pela descrição parece ser um filme interessante...
    Forte abraço!

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