sábado, 30 de abril de 2011

lágrimas ocultas

se me ponho a cismar em outras eras
em que rí e cantei, em que era querida,
parece-me que foi outras esferas,
parece-me que foi numa outra vida...

e a minha triste boca dolorida
que dantes tinha o rir das primaveras,
esbate as linhas graves e severas
e cai num abandono de esquecida!

e fico, pensativa, olhando o vago...
toma a brandura plácida dum lago
o meu rosto de monja de marfim...

e as lágrimas que choro, branca e calma,
ninguém as vê brotar dentro da alma!
ninguém as vê cair dentro de mim!

lágrimas ocultas - florbela espanca

2 comentários:

  1. Ouvi esse poema terça no episódio de Divã. Reconheci pelo final. Muito lindo e interessante a forma como ela passa sinceridade.

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  2. Eu sempre fui um moço mais de prosa, mas uma boa poesia... não tem o que dizer né?

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